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Nesta Eleição os candidatos precisam apresentar propostas voltadas para a proteção do meio ambiente e para o crescimento sustentável

O tema “Meio Ambiente e Sustentabilidade” parece não fazer parte do debate eleitoral deste ano. Em que pese à importância do assunto que começa a despertar a atenção do planeta dado a gravidade de fatos e tragédias ambientais que ocorrem em todo o mundo, mais uma vez, infelizmente, o que estamos assistindo é apenas uma disputa local sem a devida consciência de nossa estatura e responsabilidade sobre estes temas.
 
Os principais candidatos a governador, em nenhum momento, chamaram a sociedade mato-grossense ao debate, às discussões sobre o assunto. Suas plataformas estão centradas nos setores que mais o eleitor mediano se manifesta: saúde, segurança e educação. Um tripé, aliás, que já se tornou chavão e que só recebe promessas de solução, sem nenhum resultado prático, efetivo.
 
Essa “dormência” política torna o blábláblá das eleições mais chato ainda. Entidades se movimentam para chamar a atenção para o assunto, mas também acabam contaminadas pelo viés ideológico. Nada de científico. Todas puxando a sardinha para seu lado.
 
O documento “Agenda Mato Grosso Sustentável e Democrático: Eleições 2014”, assinado por trinta e seis entidades que atuam em diversos setores da sociedade e apresenta setenta e duas propostas para o avanço da política ambiental e de direitos humanos em Mato Grosso vai ser entregue aos candidatos nos próximos dias chamando-os ao debate amplo com a sociedade. A apresentação do tema aos candidatos já é uma esperança.
 
Mas, não haver debate sobre esse tema no seio dos partidos políticos é assustador! Parece que o tema é secundário. Quando, não é, pelo menos para quem vive neste planeta!
 
Além de tratar abertamente do assunto com mais eficácia, é preciso que os Governos (federal, estadual e municipal) desenvolvam campanhas educativas consistentes. Não esses “oba-oba” institucionais que apenas servem para enaltecer os engalanados do poder, para que a população entenda que o desperdício de hoje será a escassez de amanhã.
 
Exemplos de que se não começarmos a tratar a questão ambiental e a sustentabilidade com mais responsabilidade vamos pagar muito caro num futuro não muito distante não nos faltam. Vejam o que está acontecendo na região Sudeste. A grande seca que assola o Sudeste do país é a mais severa dos últimos 50 anos e reduziu a 15% a capacidade do reservatório Cantareira, o maior do sistema de abastecimento da região metropolitana de São Paulo, responsável por 47% da água consumida pela população. São Paulo virou o exemplo da crise de abastecimento no Brasil – país que detém 12% da água de superfície do planeta. 
 
foto2]Na cabeça dos brasileiros, seca só acontece no nordeste. A seca no Sudeste evidencia o limite do uso do recurso, nas cidades onde o crescimento populacional e industrial não é acompanhado pelo aumento da oferta de água tratada. Dados da ONU mostram que o uso da água cresceu a uma taxa duas vezes maior do que o aumento da população ao longo do último século. Enquanto a população global evoluirá dos atuais 7 bilhões para 9 bilhões em 2030, até 2025 o gasto de água deverá ser elevado em cerca de 50% nos países em desenvolvimento, e em 18% nos países desenvolvidos.
 
A água potável é sem dúvida a maior preocupação do mundo hoje, porém, além dela, existem outras questões ambientais de importância vital para o ser humano. Por isso, é bom mudar um pouco o discurso e as ações, fugir do lugar comum e encarar a administração pública como um todo e não apenas com o que ocorre dentro dos gabinetes com ar condicionado.
 
Por fim, temos um problema bem maior por estas bandas. A contaminação de nosso manancial hidrográfico pelos insumos da agricultura e dos lixões que proliferam as cidades de médio e grande porte. Este assunto vira um tabu, num Estado como o nosso dominado pelo plantio de culturas que necessitam muito de insumos de toda ordem. Ninguém fala nada! Amanhã, debater o assunto pode ser tarde senhores candidatos! O debate e a pesquisa já estão atrasados! Mas, ao final, a culpa é nossa mesmo. A sociedade em geral ainda não identificou como prioridade nosso futuro. Todos são imediatistas, pensam apenas no aqui e agora. Aí, como nós cuiabanos falamos, fica difícil!
 
(artigo publicado em diversos veículos de comunicação do Estado de Mato Grosso)